PALAVRA DO PÁROCO

 

    Meus irmãos e minhas irmãs da Paróquia São Peregrino, o Senhor esteja sempre convosco.
    No mês de agosto refletimos e rezamos pelas vocações, e demos uma ênfase toda especial às famílias, celeiro natural de todo Chamado. Nesse novo mês a Igreja nos convida a estarmos como discípulos aos Santos pés de Jesus para ouvir a sua Palavra. É, meus irmãos, o mês de setembro é dedicado à Bíblia.
    Uma canção, que muitos de nós conhecemos, exalta em versos simples o valor da Palavra: “Palavra não foi feita para dividir ninguém Palavra é uma ponte aonde o amor vai e vem. Palavra não foi feita para dominar, destino da palavra é dialogar. Palavra não foi feita para opressão, destino da palavra é a união”. O verdadeiro fim da Palavra de Deus é unir as pessoas e fazê-las participantes da grande família de Deus: “Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc.8,21). Mas o que vemos são divisões e discórdias, pessoas que usam da Palavra de Deus para dominar e oprimir outros irmãos. Isso realmente nos entristece.
    Dentre as muitas dimensões da Palavra a canção destaca três: “o destino da palavra é dialogar”, “Palavra como ponte aonde o amor vai e vem” e o “destino da palavra é a união”.
    Em meio aos seres criados o homem é o único que pode responder ao convite de dialogar com Deus, “E eis que ouviram o barulho dos passos do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde.” (Gênesis 3,8). Nessa frase do Gênesis vemos o Criador que se aproxima da sua criatura, como um pai que vai ao encontro do seu filhinho para conversar e ensinar.
    Com o pecado do homem esta relação de intimidade foi interrompida: “E expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida” (Genesis 3,24). Para romper esta distância o Criador, por Sua iniciativa, passou a utilizar canais humanos, ou seja, a escrita. E para que fosse realmente sua Palavra e não palavras humanas, e se perpetuasse pelos séculos, Ele inspirou, sob a ação do Espírito Santo, alguns homens que as colocaram por escrito. Nascendo assim a Sagrada Escritura.
    Desse diálogo restabelecido com Deus pelas Sagradas Palavras, a criatura pode ter acesso novamente ao amor de Deus. Sentindo e vivenciando este amor, transmitido em linguagem humana, o homem responderá ao amor gratuito de Deus, amando-O profundamente, é de fato “um vai e vem”. Portanto para entrar nesse “vai e vem” do amor é preciso ler, meditar e rezar com a Bíblia, seja individualmente ou em família.
    Os frutos desse esforço pessoal, de dialogar com Deus e amá-lo, levam-nos uma última dimensão, a união com Deus e que se estende ao próximo. Pois como diz São João na sua carta: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1 João4,20). Deste modo, podemos dizer que a leitura da Bíblia nos fortalece e aumenta a nossa união com Deus na pessoa do próximo.
    Peço mais uma coisa a vocês, meus irmãos: que as nossas famílias e cada um de nós, sejamos homens e mulheres dedicados e entregues à leitura das Sagradas Palavras. Prometo, se não for muita ousadia da minha parte, que algo novo acontecerá na sua vida e na vivência familiar.

                                                                                                                                                    Frei Antônio Eugenio

 

 

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